“Casamento perfeito”, cultura religiosa e sentimentos políticos

Gizlene Neder

Resumo


Este texto analisa a permanência cultural de longa duração da servidão feudal nas relações de gênero. A permanência do campo religioso da cristandade ocidental nos processos de modernização das codificações sobre casamento civil, no século XIX, implicou uma luta política e de ideias que compungiu o campo jurídico. Implicou ainda uma atualização das concepções sobre o “casamento perfeito” e a “perfeita casada” (construções da teologia moral, séculos XVI-XVII), que, juntamente à revivificação do casamento como sacramento, produz efeitos de dominação e controle à condição feminina, com desbordes para discussões sobre aborto e sobre o corpo perfeito no tempo presente. A perfeita casada, a mulher perfeita não deveria (não deve ainda) comer em excesso. Este trabalho pretende discutir algumas das permanências culturais, enfocando a teologia moral (aquela da temporalidade mais antiga) e sua atualização histórica na contemporaneidade, tendo em vista a análise de sua apropriação cultural. O percurso implica a identificação e descrição das práticas de leitura e edição das obras dos teólogos moralistas sobre o corpo feminino. Metodologicamente trabalhamos com a história das ideias, sublinhando a complexidade de aspectos intervenientes nos estudos do campo da história da cultura política. Seja na análise das ideias políticas, jurídicas e religiosas ou na interpretação da cultura política, estamos combinando os procedimentos tradicionais da pesquisa em história das ideias com os procedimentos epistemológicos do método indiciário. Os textos dos teólogos moralidades são interpretados, combinando a análise de forma e conteúdo.

Palavras-chave


Casamento civil; teologia moral; cultura jurídica; cultura religiosa

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DOI: http://dx.doi.org/10.15175/1984-2503-20168101

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